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Sunday, June 26, 2011

O povo da Bíblia narra suas origens


Este é o volume Nº3 (B)O povo da Bíblia narra suas origens(/B). Os quatro temas: O nome do povo retrata sua história; Na experiência da fraqueza, o povo vê a força de Deus; Os fracos e pequenos constroem o povo de Deus; O povo reconta a história e revive a libertação, ajudarão você a descobrir como o povo da Bíblia se formou, entre as lutas e as conquistas daqueles que faziam parte dos grupos iniciais. Você descobrirá que a experiência de fé que caracterizou e distinguiu aquele pequeno povo de todos os povos da Terra, é a mesma experiência que Deus hoje nos oferece.

Cf. AUTH, Romi. O povo da Bíblia narra suas origens. São Paulo: Paulinas, 2001. p.60-61. (Visão global, 3).

No período da formação do povo da Bíblia, não surgiram escritos contemporâneos à história; todos nasceram muito depois e falam sobre o período. É a história dos patriarcas e a experiência da escravidão no Egito. A história dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e de seus 12 filhos é recordada de modo especial em alguns livros (Gn 12-50; 1Cr l-2; Ec1o 44) e referida em toda a Bíblia. A experiência da libertação da escravidão do Egito, sob a ação de Deus, e a caminhada pelo deserto marcaram o povo e são lembradas sobretudo em Êxodo, Números e Eclesiástico (Ex 1-18; Nm 9-14; 20-25; Eclo 45). Essas experiências perpassam toda a Bíblia.

Do período da formação do povo são conhecidos, também, escritos não bíblicos: as cartas de Tell el-Amarna e a estela de Merneptá. As cartas foram escritas pelos reis das cidades-estados de Canaã e enviadas ao faraó Amenófis IV (ou Akhenaton - 1372-1354 a.E.C.), do Egito. Os reis pediam proteção ao império e reclamavam dos invasores nos seus domínios e de grupos rebeldes, os hapirus. A estela de Merneptá é um monumento em pedra, erguido em homenagem ao faraó Merneptá do Egito (1224-1204 a.E.C.), que mandou escrever nela as vitórias contra os inimigos, entre eles Israel.

Cf. AUTH, Romi. O povo da Bíblia narra suas origens. São Paulo: Paulinas, 2001. p.61. (Visão global, 3).

Conclusão: A apresentação da formação do povo de Israel pela união dos grupos abraâmico, mosaico, sinaítico e dos camponeses oprimidos é uma das formas de começar a contar essa história. Os quatro grupos são os principais, mas não excluem a possibilidade da presença de outros grupos que não foram nomeados neste trabalho e no decorrer da história, mas com certeza contribuíram para a formação do povo.

(...) É possível que os diversos grupos que formaram o povo da Bíblia, por volta de 1250 a.E.C, já fossem conhecidos pelo nome Israel, conforme aparece no monumento de Merneptá. Esses grupos se uniram e se retiraram para as montanhas, começando uma nova forma de organização social conhecida como período tribal. No início, as tribos se organizavam sob a orientação dos anciãos e depois dos juízes.

Friday, June 10, 2011

VISÃO GLOBAL DA BÍBLIA




Esta série apresenta as etapas fundamentais da história do povo bíblico e, por meio da linha do tempo, as relacionando com fatos da história contemporânea. É um precioso auxílio para as pessoas começarem a se familiarizar com os textos sagrados, com sua formação e com sua história. Utilizando metodologia própria para estudo em grupos, os volumes são ainda enriquecidos com 42 mapas e temas bíblicos.

Este é o volumeNº1 (B)Bíblia, comunicação entre Deus e o povo(/B) desenvolve o conteúdo em quatro temas: Bíblia parceria entre Deus e o povo, Bíblia comunicação de Deus em linguagem humana, Arqueologia e inspiração divina, Deus fala na Bíblia e nas histórias que o povo conta. Procura mostrar que a bíblia não é um livro difícil e misterioso. É uma história viva e atual. É a voz do próprio Deus comunicando-se em lingagem humana, falando pessoalmente com você.

Tuesday, May 10, 2011

Resumo dos livros da Bíblia-APOCALIPSE DE SÃO JOÃO


A CORAGEM DO TESTEMUNHO

Apocalipse quer dizer revelação (1,1). Este livro, portanto, é uma mensagem reveladora. O autor procura revelar o mistério (10,7) do que está acontecendo e do que vai acontecer: Deus vai agir na história, julgando e destruindo o mal, para implantar definitivamente o seu Reino entre os homens (11,15).

O Apocalipse é de compreensão difícil, porque o autor faz largo uso de imagens, símbolos, figuras e números misteriosos. Isso pode ser facilmente entendido, quando vemos que o livro nasce dentro de uma situação difícil: o povo de Deus está sendo oprimido, perseguido e vigiado pelas estruturas de poder. Em tais circunstâncias não se pode falar claro principalmente porque o autor pretende mostrar a situação real e traçar uma estratégia de resistência e ação. As comunidades a que ele se dirige entendem essa linguagem, pois estão familiarizadas com o Antigo Testamento, onde o autor vai buscar os símbolos.

Dois grandes motivos levaram o autor a dirigir sua mensagem às comunidades cristãs (igrejas) da Ásia Menor:

1. O sincretismo religioso. As conquistas de Alexandre Magno e, mais tarde, a dominação romana, unificaram numerosas nações, misturando culturas, costumes e religiões. Para o cristianismo nascente, isso podia significar o desvirtuamento interno, a perda da identidade, a desagregação das comunidades e, conseqüentemente, a ausência de testemunho corajoso contra a idolatria, principalmente a idolatria de um poder político absoluto e tirânico.

2. A dominação romana e a religião imperial. No tempo do imperador Nero (54-68 d.C.), os cristãos foram perseguidos pela primeira vez, mas só em Roma, e não por causa da fé. Era tempo de decadência, e a autoridade do imperador estava seriamente abalada. Para reafirmar-se, o imperador Vespasiano (69-79 d.C.) criou a religião imperial, isto é, o culto aos imperadores mortos, além de atribuir a si mesmo títulos divinos, como "salvador", "benfeitor", "senhor". Domiciano (81-96 d.C.) foi imperador tirano e, para manter o império unido, impôs essa religião imperial a todos os povos dominados, exigindo inclusive o culto ao imperador vivo. Quem recusasse tal culto, era considerado inimigo, e por isso perseguido e morto.

João queria advertir os cristãos quanto aos perigos internos e externos e fortalecer as comunidades para os momentos difíceis que iriam passar por causa da fé. Era necessário que as comunidades se convertessem, voltando à opção original pelo seguimento e testemunho de Jesus. Desse modo, elas estariam preparadas para testemunhar corajosamente a fé, resistindo às perseguições e desenvolvendo ação libertadora, que manifestasse ao mesmo tempo decidida crítica à situação de opressão e firme esperança de uma sociedade nova.

O livro de João é alimento para a fé e fortalecimento para a esperança do povo oprimido. Para esse povo, a salvação não consiste simplesmente em melhorar a situação, mas em transformá-la radicalmente, fazendo nascer um novo mundo de justiça, fraternidade e partilha, isto é, o julgamento definitivo do mundo presente e a vinda do Reino de Deus. João mostra, porém, que esse julgamento e Reino se realizam através do seguimento e testemunho de Jesus.

Fonte: Bíblia Pastoral

Wednesday, April 13, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - CARTA DE SÃO JUDAS

Não desanimar na fé

Esta pequena carta atribuída a Judas, irmão de Tiago e parente de Jesus, provavelmente foi escrita no fim do sec. I. Seja quem for o autor, ele conhece bem a literatura judaica do seu tempo, os textos chamados apócrifos, que ele cita, e dos quais está muito próximo pelo estilo.

É um discurso violento, mas, ao mesmo tempo, estranho e surpreendente; muitos particulares aí acenados são desconhecidos totalmente por nós. Entretanto, o cerne de sua preocupação é bastante claro: a necessidade de defender o essencial da fé com unhas e dentes e de denunciar com coragem as aberrações de um misticismo imoral. Parece que o autor ataca alguns grupos que pretendiam possuir uma forma particular de conhecimento. Estes provocavam a desunião da comunidade, até mesmo nas reuniões. A essas pessoas que se consideravam «espirituais», e que chegavam a negar que Jesus Cristo é o Senhor, o autor os acusa de estarem dominados por seus interesses e instintos e não pelo Espírito.

Essa violenta intervenção deve ter tido certo êxito, pois é retomada na segunda carta de Pedro, embora com alguns retoques. Não devemos ficar admirados com a sua violência, que não tem medo de usar formas injuriosas. Trata-se, freqüentemente, de fórmulas fixas na literatura religiosa da época. Mais digna de nota é a preocupação profunda da carta: não permitir que o mistério cristão se enfraqueça.

Nessa acusação contra os que pervertem a fé em Cristo e a fé cristã, o autor cita os ímpios mais famosos da Bíblia: o povo revoltado no deserto (Nm 14,26-35), os misteriosos seres celestes de Gn 6,1-3, Sodoma e Gomorra (Gn 19,1-29), Caim (Gn 4,1-24), Coré (Nm 16,1-35).

Tuesday, April 12, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - TERCEIRA CARTA DE SÃO JOÃO

COOPERADORES DA VERDADE

Esta é uma carta de encorajamento, que apresenta situação e pessoas bem concretas. O «Ancião» é certamente responsável por um grupo de comunidades, e está encontrando a oposição de Diótrefes, o bispo de uma igreja local, a quem acusa de ser dominador e de ter uma língua ferina. O Ancião enviou alguns missionários que se hospedaram na casa de Gaio, mas Diótrefes não permitiu que eles tivessem acesso à comunidade local; agora torna a enviá-los e pede a ajuda de Gaio. Demétrio, portador da carta, talvez seja um desses missionários. Note-se que a crítica ao bispo Diótrefes não é a respeito de uma doutrina errada, mas de um espírito autoritário, que toma decisões sem consultar a comunidade.

Thursday, April 7, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - SEGUNDA CARTA DE SÃO JOÃO

VIVER NA VERDADE

Esta carta se dirige a uma comunidade personificada como «Senhora eleita», repetindo frases da primeira carta de João. Trata-se de comunidade exposta à ameaça de perder o próprio coração da fé e da vida cristã. Alguns pregadores «avançados» negam que o homem Jesus seja o Messias enviado por Deus e deixam de lado o mandamento do amor mútuo, rompendo conseqüentemente sua relação com Deus. Em poucas palavras, pregam um conhecimento elevado que não necessita da fé em Jesus nem do seu evangelho de amor. O Ancião é radical: proíbe que a comunidade mantenha qualquer relacionamento com esses impostores. Trata-se sem dúvida de pessoas que pertencem ao grupo combatido pela primeira carta de João.

O remetente assina «Ancião» (= presbítero) e os destinatários se encontram na Ásia Menor. O autor e a época são os mesmos da primeira carta de João.

Saturday, April 2, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -PRIMEIRA CARTA DE SÃO JOÃO

O DINAMISMO DA FÉ É O AMOR

O autor da primeira carta de João é o mesmo do quarto Evangelho, ou talvez um discípulo dele. Escrita provavelmente no fim do séc. I, era dirigida às comunidades cristãs da Ásia Menor, que passavam por séria crise, provocada por um grupo de dissidentes carismáticos. Estes propunham uma doutrina gnóstica, que afirmava que o homem se salva graças a um conhecimento religioso especial e pessoal. Eles negavam que Jesus era o Messias e se gloriavam de conhecer a Deus, de amá-lo e de estar em íntima união com ele; afirmavam-se iluminados, livres do pecado e da baixeza do mundo; não davam importância ao amor ao próximo e talvez até odiassem e hostilizassem a comunidade. O grupo fora rejeitado, mas algumas comunidades ficaram inseguras e confusas.

A carta mostra que é vazio e sem valor qualquer espiritualismo que não se traduz em comportamento prático. Não é possível amar a Deus sem amar ao próximo e sem formar comunidade: se Deus é Pai, os homens são filhos e família de Deus, e conseqüentemente todos devem amar-se como irmãos. Deus manifestou o seu amor por meio de Jesus, que tornou possível o amor entre os homens. Daí o perigo de negar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, que viveu e deu sua vida pelos homens. Por outro lado, somente pela fidelidade ao exemplo e mandamento de Jesus é que o homem tem vida plenamente humana.

Fonte: Bíblia Pastoral

O centro da carta é o amor, que traduz a fé em vida concreta. Amar ao próximo significa conhecer a Deus, viver na luz, estar unido a Deus e aos irmãos, não pertencer ao mundo e cumprir os mandamentos. Portanto, amar a Deus é praticar a justiça, é ser filho de Deus, obter o perdão dos pecados e libertar-se do medo.

Sunday, March 27, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -SEGUNDA CARTA DE SÃO PEDRO

PERSEVERAR NA ESPERANÇA

Embora se apresente como sendo de Simão Pedro (1,1; 3,1), esta segunda carta é o último escrito do Novo Testamento, e foi provavelmente escrita no fim do séc. I ou mesmo em meados do séc. II. Seu autor imita o gênero literário do «testamento dos antepassados», comum naquela época: pôr conselhos e advertências na boca dos patriarcas que estão próximos à morte.

Estamos no tempo em que a Igreja está passando da época primitiva para a chamada era pós-apostólica. Até aí o cristianismo fora vivido como novidade entusiasmante e esperava-se ardente e continuamente pela volta gloriosa de Jesus. Nesse momento, porém, o tempo do Jesus terrestre começava a perder-se no passado, e o futuro da parusia torna-se cada vez mais distante. A comunidade cristã vai aos poucos sofrendo influências de pensamentos e religiões diversas que ameaçam deturpar o mistério cristão e até mesmo a consciência moral das comunidades com uma série de idéias sem ligação com a vida.

A carta responde à situação, estimulando os desencorajados e denunciando com veemência as doutrinas estranhas à fé. Ao mesmo tempo que anuncia a catástrofe final do mundo, ensina também a paciência e a perseverança, o senso da vida sob o julgamento de Deus, o progresso na fé a na graça. Por outro lado, defende o essencial da fé e insiste na Palavra de Deus, referindo-se às cartas de Paulo como a um conjunto literário bem conhecido de toda a Igreja. Em poucas palavras, a carta é uma lição importante para o cristianismo, que deve aceitar ser fermento dentro de uma longa história, embora deva recusar um estabelecimento triunfal num momento da história.

Fonte: Bíblia Pastoral

Wednesday, March 16, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -PRIMEIRA CARTA DE SÃO PEDRO

UM LAR PARA QUEM NÃO TEM CASA

Esta carta foi escrita «aos que vivem dispersos como estrangeiros» por todas as regiões da Ásia Menor. São, portanto, migrantes que vivem fora da pátria (1,17), seja porque partiram em busca de trabalho para sobreviverem, seja porque eram escravos comprados que permaneciam na casa de seus senhores, longe do local de origem. Esses cristãos tinham deixado suas raízes, os parentes e amigos e se encontravam em situação de isolamento em regiões que não lhes davam o aconchego e acolhida que tinham na própria terra. Sofriam humilhações, injúrias, perseguições por serem estrangeiros e cristãos. Pedro escreve, mostrando que a união entre eles, seja na família, seja na comunidade, há de ser tão fraterna e acolhedora, que formem juntos a «casa de Deus». Por isso, a carta respira clima de alegria, fraternidade e esperança. Essa união e enraizamento na fé, através de um testemunho de vida, será a retaguarda sólida diante de uma situação hostil (3,13-17; 4,4-5).

Por isso, no texto a vida cristã aparece como algo simples e imediato. Não há diretivas complicadas de vida; unicamente o senso fundamental do amor e da lealdade. Ameaçados pela perseguição e na expectativa de um próximo fim do mundo, esses cristãos não pensam em mudanças estruturais para a construção de nova sociedade; aceitam as estruturas e condições de sua época, procurando dentro desse contexto testemunhar a justiça, a lealdade e o sentido da responsabilidade humana. É nesse ambiente que devemos ler as passagens sobre os escravos, as mulheres e o poder público (2,13-3,7).

A carta foi escrita de «Babilônia», que provavelmente designa a cidade de Roma (cf. Ap 18,2.10.21). A data provável é o período imediatamente anterior à perseguição desencadeada por Nero no ano 64 d.C.

Sunday, March 6, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -CARTA DE SÃO TIAGO


A FÉ É PRÁTICA DA JUSTIÇA

A Carta de Tiago é um escrito de caráter sapiencial, isto é, mostra a sabedoria do discernimento cristão diante das situações. Dirige-se a todas as comunidades cristãs, simbolizadas pelas «doze tribos» do novo povo de Deus. O autor se apresenta como Tiago, o irmão do Senhor (cf. Mc 6,3), que dirigiu a igreja de Jerusalém (cf. At 15,13) e morreu mártir no ano 62. Diversas razões, porém, fazem pensar que o verdadeiro autor da carta é judeu de origem grega do final do século I, e que escreveu a carta entre os anos 80 e 100.

Esta carta é mensagem tipicamente cristã, como os Evangelhos; reduz toda a Lei judaica ao mandamento do amor ao próximo (1,25; 2,8.12). Pode-se dizer que é explicação das exigências desse mandamento em diversas circunstâncias: igualdade cristã (2,1-4), preferência pelos pobres (2,5-7), amor ativo (2,14-17). Esse amor exclui a exploração, e nesta carta encontramos a mais violenta passagem do Novo Testamento contra os ricos (5,1-6). A fé aqui é vista como dinamismo que produz ação e que só é madura quando se expressa em atos concretos (2,20-26); é fé que rejeita qualquer espiritualidade ou religiosidade individualista e intimista (1,26-27). Da mesma forma, a verdadeira sabedoria se expressa pela conduta (3,13-16).

Tiago rejeita a consagrada separação entre «dimensão vertical» e «dimensão horizontal» da vida cristã: «do mesmo modo que o corpo sem o espírito é cadáver, assim também a fé: sem as obras é cadáver» (2,26). E são estas as obras citadas no contexto: dar de comer ao faminto e vestir o nu (2,15-16; cf. Mt 25,35-36).

Thursday, February 24, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -CARTA AOS HEBREUS

CRISTO É O ÚNICO SACERDOTE VERDADEIRO

A assim chamada carta aos Hebreus é comumente atribuída a são Paulo. Entretanto, seu estilo não tem nada parecido com o de Paulo, e até o séc. IV a Igreja do Ocidente recusou-se a atribuí-la ao Apóstolo. Seu autor é desconhecido, da segunda geração cristã (2,3), e escreveu-a por volta do ano 80. Nada indica também que o texto seja uma carta: faltam endereço e saudação, e o estilo é impessoal, sem nenhuma referência a destinatários. O gênero literário é mais o de sermão ou homilia. Só no final (13,20-25) aparecem elementos típicos de um bilhete, talvez enviado juntamente com o discurso e recomendando a sua leitura.

Os destinatários são um grupo de leitores que se acham em grande perigo de rejeitar a fé em Jesus como revelador e portador da salvação. Eles sentem dificuldade em aceitar, tanto a forma humilhante e dolorosa da aparição terrestre de Jesus (Hb 2), como os próprios sofrimentos que estão tendo que suportar por serem cristãos (10,32ss; 12,3ss) e ainda a desilusão de não verem realizada a salvação final (10,36s; 3,14; 6,12). Por outro lado, parece que a religião do Antigo Testamento exerce forte influência nesse grupo. Pode-se supor que sejam judeus convertidos da comunidade cristã de Roma.

O escrito é de grande importância no quadro geral do Novo Testamento, pelo fato de apresentar Jesus como aquele que supera a instituição cultual do Antigo Testamento. Paulo havia mostrado a caducidade da Lei, anunciando que não é a piedade legalista que salva. Agora, o autor de Hebreus mostra que a piedade cultual ligada ao Templo e aos sacrifícios não assegura o perdão e a comunhão com Deus.

O único ato salvador a obter de uma vez por todas o perdão é o sacrifício de Jesus, que derramou seu sangue e entregou sua vida por nós. Ora, Jesus não realiza nada parecido com uma oferenda religiosa nos moldes cultuais judaicos: em lugar de uma ação sagrada realizada no recinto do Templo e com rituais precisos, ele morreu fora do Templo e da cidade santa, como criminoso eliminado da sociedade (13,12).

Jesus é, portanto, o único mediador entre Deus e os homens. Doravante, é ele o único santuário e sacerdote, e o sacrifício por ele realizado é, daqui por diante, o único agradável a Deus (9,11-14). As conseqüências são radicais:

- Exceto Jesus, nada mais é absoluto: nenhuma instituição ou estrutura, tanto civil como religiosa, tem caráter absoluto e intocável. Sendo único mediador, Jesus abre completamente a comunicação entre Deus e os homens, e dos homens entre si.

- O povo está livre para participar inteiramente da realidade de Jesus e, portanto, ter acesso à intimidade com o próprio Deus.

- Frente à pessoa e vida de Jesus, todas e quaisquer instituições, estruturas religiosas ou civis têm caráter relativo e provisório, sendo passíveis de revisão crítica, reformulação e renovação.

- O verdadeiro culto a Deus se realiza através da própria vida. O modo de servir a Deus não são ritos religiosos, mas obediência à sua vontade, que se manifestou radicalmente na doação vivida por Jesus até à morte (10,1-10). O único valor do culto consiste em expressar, concreta ou simbolicamente, o culto que os homens prestam a Deus através da própria vida.

Fonte:Bíblia Pastoral

Friday, February 18, 2011

CARTA A FILEMON

EM CRISTO TODOS SÃO IRMÃOS

De todas as cartas de Paulo, esta a Filemon é a mais breve e pessoal, a única escrita inteiramente de próprio punho. Paulo está na prisão, provavelmente em Éfeso, acompanhado das mesmas pessoas. O fato de Onésimo voltar com Tíquico para Colossas (Cl 4,7-9) faz supor que esta carta foi escrita na mesma data que a carta aos Colossenses. Filemon parece ser membro importante da igreja de Colossas, talvez o líder do grupo que se reúne em sua casa (vv. 1-2).

É uma carta de recomendação em favor de Onésimo, um escravo que fugiu do seu patrão Filemon, provavelmente após ter cometido roubo (v. 18). Onésimo procurou o apoio de Paulo, que estava na prisão, e acabou convertendo-se ao cristianismo (v. 10). Paulo manda-o de volta a Filemon, pedindo a este que o trate como irmão (v. 16).

Paulo não pensava certamente em criticar o estatuto da escravidão, comum em seu tempo, provocando assim uma revolução social. Os cristãos ainda não tinham força para exigir transformações estruturais da sociedade. Mas o Apóstolo implicitamente declara que a estrutura vigente não é legítima. De fato, mostrando que as relações dentro da comunidade cristã devem ser fraternas, Paulo esvazia completamente o estatuto da escravidão e a desigualdade entre as classes. Em Cristo todos são irmãos, com os mesmos direitos e deveres. E só Cristo é o Senhor.

Monday, February 14, 2011

CARTA A TITO


EXPRESSAR A FÉ NA VIDA

A carta a Tito e a primeira carta a Timóteo tratam de problemas idênticos. O Evangelho foi anunciado, as comunidades foram fundadas e, algumas dezenas de anos mais tarde, aparecem os verdadeiros problemas. Alguns cristãos, provavelmente de origem judaica, misturam o Evangelho com teorias propagadas por grupos judaicos que se arrogam o direito de regulamentar o uso de alimentos e proibir o matrimônio. Por outro lado, também os costumes relevados do paganismo se infiltram na comunidade, falseando a moral. É preciso recordar aos cristãos que a salvação foi trazida por Cristo, e também traçar as grandes linhas do comportamento para a vida particular e social, e ainda prover à organização das igrejas.

A carta foi escrita provavelmente pelos anos 64-65. Tito, seu destinatário, é o delegado pessoal de Paulo na ilha de Creta.

Segundo Gl 2,1ss, ele era grego, acompanhou Paulo e Barnabé a Antioquia e, apesar de sua origem pagã, não foi circuncidado; isso para demonstrar a liberdade evangélica perante a lei. Agora Paulo conta com ele para organizar a comunidade de Creta e lutar contra os que falseiam a palavra de Deus.

O centro da carta é a «sã doutrina», isto é, a vontade salvadora de Deus e a salvação gratuita trazida por Cristo. Ao redor desse núcleo giram as várias partes da carta, numa organização temática bem mais feliz que na primeira a Timóteo. Tito deve instituir presbíteros, a fim de que exortem à «sã doutrina» e refutem todos os que a contradizem; além do mais, o próprio Tito deverá «fechar a boca» dessa gente, ensinando, praticando e fazendo praticar a «sã doutrina»

Fonte: Bíblia Pastoral

Tuesday, February 1, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO

COMBATER O BOM COMBATE

Embora trate dos mesmos temas da 1ª carta a Timóteo e da carta a Tito, a 2ª carta a Timóteo é um escrito bem mais pessoal. O interesse central se desloca da comunidade cristã (1Tm e Tt) para a relação pessoal entre Paulo e Timóteo, tornando esta carta muito semelhante à carta a Filemon.

Paulo está de novo na prisão em Roma, provavelmente pelo ano 67. As condições são duras, bem diferentes da prisão domiciliar, quando ainda podia pregar livremente (At 28,16). O Apóstolo se sente só, ninguém o defendeu no tribunal, seus dias estão contados, e ele se prepara para o martírio. Diante do abandono, incompreensão, torturas e próxima execução, Paulo continua firme e dá graças. Antes da morte, deseja rever seu «amado filho Timóteo» e confirmá-lo na missão. Este é apresentado com traços mais precisos: uma pessoa sensível (1,4), às vezes indecisa e sem coragem (1,8). Ficamos também sabendo de sua avó Lóide e de sua mãe Eunice (1,5), exemplos de fé para Timóteo.

O tema central da carta são as considerações sobre os «últimos dias». Trata-se dos últimos tempos de Paulo, prisioneiro, doravante próximo a partir, e também dos últimos tempos da Igreja. Assim, o Apóstolo deseja rever Timóteo. Relembra os próprios sofrimentos e experimenta o conforto de ter «combatido o bom combate», e a certeza de receber a coroa da justiça. De outra parte, recomenda a Timóteo: não envergonhar-se do Evangelho, mas proclamá-lo com integridade; tomar cuidado com as «palavras vãs» de falsos pregadores que aparecerão nos últimos tempos, apresentando falsas doutrinas; vigiar a si mesmo e manter-se perseverante, mesmo que deva sofrer junto com Paulo por causa do Evangelho.

Monday, January 31, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO

APELO AO DISCERNIMENTO

Junto com a carta a Tito, as cartas a Timóteo formam um conjunto à parte na literatura que é comumente atribuída a São Paulo. Não se dirigem a uma comunidade, mas a pessoas individuais que possuem uma responsabilidade no governo, no ensino e no comportamento das comunidades cristãs. Porque apresentam diretrizes para os pastores, desde o séc. XVIII elas são chamadas Cartas Pastorais.

Timóteo foi discípulo e colaborador de Paulo, e é mencionado ou está sempre junto com o Apóstolo quando este escreve suas cartas.

Conforme Atos, Timóteo nasceu em Listra, na Licaônia. Filho de pai grego e mãe judeu-cristã, Paulo permitiu que ele fosse circuncidado (At 16,1-3). Ao passar por Listra, na sua segunda viagem missionária, Paulo tomou Timóteo consigo como companheiro de viagem. Timóteo ficou em Beréia quando Paulo teve que fugir (At 17,14s) e depois se juntou a Paulo em Corinto. Foi mandado para a Macedônia antes da terceira viagem de Paulo (At 19,22) e estava no grupo de Paulo no fim da terceira viagem (At 20,4). A 1Tm deve ter sido escrita em 64-65 e apresenta Timóteo como responsável pela igreja de Éfeso.

A importância da 1Tm está no seu testemunho histórico sobre a organização eclesiástica. Paulo insiste para que Timóteo desempenhe com firmeza e coragem a função que recebeu de Cristo mediante a imposição das mãos («ordenação»). Exorta-o a tornar-se anunciador e defensor da verdade (1,3-20), a organizar o culto (2,1-15) e a ser pastor, dirigindo a comunidade na diversidade dos grupos (3,1-6,2). Estamos ainda longe de uma rígida organização jurídica, mas podemos dizer que temos aqui um verdadeiro ponto de partida para a reflexão teológica sobre o ministério na Igreja.

Friday, January 28, 2011

Resumo dos livros da Bíblia -SEGUNDA CARTA AOS TESSALONICENSES

RESISTÊNCIA EM MEIO AOS CONFLITOS

A segunda carta aos Tessalonicenses foi escrita pouco depois da primeira. Aqui, a preocupação não é quando vai acontecer o fim do mundo, mas como devemos comportar-nos na espera de que isso aconteça. Algumas pessoas da comunidade de Tessalônica, ouvindo falar que Jesus Cristo glorioso deveria vir em breve, se refugiavam numa falsa idéia de que as perseguições não mais aconteceriam. E com isso estavam perdendo a garra cristã de lutar pela construção do Reino. A carta retoma um dado importante: a fé cristã se expressa neste mundo concreto e, por isso, jamais foge da luta ou teme o conflito. A atitude de quem espera a vinda gloriosa de Cristo não é acomodar-se ou cruzar os braços, como se não houvesse mais nada que fazer neste mundo, senão olhar para o alto à espera de que tudo caia de repente lá do céu.

Ao falar sobre a proximidade da vinda de Cristo, a carta não se refere a uma urgência de tempo (2,2), mas à urgência do comportamento vigilante e ativo nas situações de perseguição e de opressão: fé ativa (1,11), perseverança (2,5), firmeza no testemunho (2,14), ânimo e coragem (2,17). A carta toma como base de seu ensinamento a apocalíptica, isto é, as coisas que falam sobre o fim do mundo. A etapa da história em que vivemos é a última. Por isso, a luta deve ser mais corajosa e cheia de esperança, pois a característica daqueles que esperam a chegada gloriosa do Reino de Deus é a resistência contra as forças do mal. É o que a carta procura incutir. A comunidade de Tessalônica estava ameaçada de perder o impulso que torna o cristianismo dinâmico e causador de profundas transformações históricas na sociedade. Ao se tornarem passivos e ao não admitirem a situação de conflito, ameaçavam fazer do cristianismo uma religião estática, que mantém a situação, e não uma fé ativa que transforma o mundo e provoca a vinda definitiva de Cristo e do seu Reino.

Wednesday, January 26, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - PRIMEIRA CARTA AOS TESSALONICENSES

FÉ, AMOR E ESPERANÇA

Redigida em Corinto no inverno de 50-51, esta carta é o primeiro documento escrito do Novo Testamento e do cristianismo.

Atingido pela perseguição, Paulo teve que deixar às pressas a cidade de Filipos. Dirigiu-se a Tessalônica (At 16,19-40), grande cidade comercial e ponto de encontro para muitos pensadores e pregadores das mais diversas filosofias e religiões.

Paulo anuncia o Evangelho e forma aí um pequeno grupo. Mas, perseguido, tem que fugir (cf. At 17,1-10) e seu trabalho corre o risco de se esvaziar diante das inúmeras propostas dessa grande cidade. Então, de Atenas, ele envia seus colaboradores Timóteo e Silas para visitarem e trazerem notícias dessa comunidade perseguida. Timóteo e Silas encontram Paulo em Corinto. Ao receber deles a notícia de que a comunidade de Tessalônica continuava fervorosa e ativa, ele escreve esta carta para comunicar a sua alegria e estimular a perseverança da comunidade.

Nesta carta, Paulo também procura responder a algumas questões que preocupam a comunidade de Tessalônica. Uma é o problema da vinda gloriosa de Cristo. Os tessalonicenses pensavam que essa vinda se realizaria logo, e se perguntavam: Os que já morreram, será que não vão participar desse grande acontecimento? Paulo mostra que no fim da história, tanto os mortos como os vivos estarão reunidos para viverem sempre com Cristo ressuscitado. A esperança é para todos, e todos participarão da vitória de Cristo sobre o mal e sobre a morte.

O Apóstolo relembra que a vida cristã é espera ativa do Senhor. A espera, formada de fé e perseverança, leva a construir a comunidade no amor. Ela faz olhar para o alto e para o fim da história, mas também leva os fiéis a se empenharem com todos os outros homens nas realidades terrestres, como o respeito ao corpo e o trabalho. Uma espera que não deixa de reforçar a fidelidade ao Senhor, porque o céu nada mais será do que a plena manifestação da realidade que os cristãos já começam a viver no presente da história: a união com o Senhor para sempre.

Tuesday, January 25, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - CARTA AOS COLOSSENSES

CRISTO, IMAGEM DO DEUS INVISÍVEL

Colossas era uma pequena cidade da Ásia Menor, distante 200 km de Éfeso, e próxima de Hierápolis e Laodicéia (4,13.16). Paulo não a visitou pessoalmente (2,1). As comunidades cristãs de Colossas, Hierápolis e Laodicéia foram fundadas por Epafras, discípulo de Paulo (1,7; 4,13), enquanto este se encontrava em Éfeso (At 19).

Os cristãos de Colossas eram provenientes do paganismo (1,21.27) e costumavam reunir-se nas casas de família como na de Ninfas (4,15) e na de Arquipo (4,17; Fm 2).

A carta aos Colossenses foi escrita na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55 e 57 (At 19), talvez na mesma ocasião em que foi escrita a carta aos Filipenses.

Epafras informou Paulo sobre a situação dos cristãos em Colossas (1,8). Os cristãos estavam ameaçados por uma heresia que misturava elementos pagãos, judaicos e cristãos. Seus seguidores davam muita importância aos poderes angélicos, às forças cósmicas e a outros seres intermediários entre Deus e o homem, que teriam papel importante no destino de cada pessoa. Essas idéias traziam, como conseqüência, a busca de um conhecimento do mundo fascinante e misterioso que dominava os homens. Ao lado disso, depositava-se confiança numa série de observâncias religiosas que garantiriam a benevolência desses poderes superiores: observância de festas anuais, mensais e sábados, leis alimentares (2,16.21) e ascéticas (2,23), culto aos anjos (2,18) e às forças cósmicas (2,8) etc. Tudo isso comprometia seriamente a pureza da fé cristã.

Paulo então mostra que Cristo é o mediador único e universal entre Deus e o mundo criado; tudo se realiza por meio dele, desde a criação até a salvação e reconciliação de todas as coisas. Deus colocou Jesus Cristo como Cabeça do universo, e os cristãos, que com ele morreram e ressuscitaram e a ele permanecem unidos, não devem temer nada e a ninguém: nada mais, tanto na terra como no céu, pode aliená-los e escravizá-los. Doravante, o empenho na fé em Cristo é o caminho único para a verdadeira sabedoria e liberdade. Só a renovação em Cristo pode derrubar as barreiras entre os homens, dando origem a novas relações humanas, radicalmente diferentes daquelas que costumam existir na sociedade (3,11).

O problema que Paulo enfrenta em Colossas não é a contraposição entre fé e incredulidade. Trata-se de uma questão que surge dentro da própria Igreja: distinguir entre o verdadeiro e o falso na interpretação da própria fé. E isso não é problema meramente teórico, pois a concepção que se tem da base da fé determina toda a prática da vida cristã.

Monday, January 24, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - CARTA AOS FILIPENSES

O VERDADEIRO EVANGELHO

Filipos foi a primeira cidade européia que recebeu a mensagem cristã (At 16,6-40). Paulo aí chegou na primavera do ano 50 durante a segunda viagem missionária.

O primeiro núcleo da comunidade por ele fundada formou-se através de reuniões na casa de Lídia, uma negociante de púrpura, que acolhera Paulo por ocasião de sua visita. O Apóstolo voltou a Filipos outras vezes, durante suas várias passagens pela Macedônia.

Os cristãos de Filipos foram sempre os mais ligados ao Apóstolo e diversas vezes o socorreram com auxílio material (Fl 4,16; 2Cor 11,9).

A carta aos Filipenses foi escrita na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55-57 (At 19). Paulo está incerto sobre o rumo que sua situação tornará: poderá ser morto ou posto em liberdade. Mas ele tem grande confiança de que será solto e que poderá visitar de novo, pessoalmente, a comunidade de Filipos.

Vários motivos levam Paulo a escrever esta carta:

- deseja agradecer o auxílio enviado pela comunidade (2,25; 4,10-20);

- anuncia a visita de Timóteo a Filipos e explica a razão da volta imprevista de Epafrodito (2,19-30);

- adverte a comunidade sobre a divisão causada pelo espírito de competição e egoísmo de alguns (2,1-4);

- previne a comunidade contra os pregadores judaizantes, que põem a salvação na circuncisão e na observância da lei (3,2-11);

- relembra aos cristãos de Filipos que a autenticidade do Evangelho, anunciado e vivido, está na cruz de Cristo (2,5-11).

Paulo demonstra afeto e gratidão pela comunidade de Filipos e, por isso, quer vê-la sempre fiel ao Evangelho. Alguns pregadores insistem que a salvação depende da Lei. O Apóstolo mostra com vigor que a salvação só depende de Jesus Cristo. É Jesus que, feito homem e morto numa cruz, recebeu do Pai o poder de dar aos homens a salvação. E todo aquele que não transmite isso pelo testemunho de vida e pela palavra será sempre falso transmissor do Evangelho. Esta carta, portanto, fornece o critério para que uma comunidade cristã saiba reconhecer o verdadeiro Evangelho e quais são os pregadores autênticos.

Saturday, January 22, 2011

Resumo dos livros da Bíblia - CARTA AOS EFÉSIOS

VIDA PLENA EM CRISTO

As quatro cartas aos Filipenses, a Filemon, aos Colossenses e aos Efésios formam o grupo das cartas do cativeiro. As três primeiras foram muito provavelmente escritas em Éfeso, entre os anos 55-57. Efésios e Colossenses talvez tenham sido escritas na mesma ocasião; é o que se deduz da semelhança entre elas e pelo fato de mencionarem Tíquico como portador de ambas (Ef 6,21; Cl 4,7). O Apóstolo parece não conhecer pessoalmente os destinatários dessas duas cartas. Isso nos leva a pensar que a carta aos Efésios, na origem, não teve destinatário preciso; talvez fosse uma circular destinada às comunidades da região próxima a Éfeso; e alguns chegam a pensar que seria a mesma carta dirigida à igreja de Laodicéia, citada em Cl 4,16. Note-se que a expressão «em Éfeso» (Ef 1,1) falta em diversos manuscritos antigos.

A carta aos Efésios é fruto de longa e amadurecida meditação teológica. Contemplando o projeto de Deus para a salvação da humanidade, o olhar de Paulo se concentra em Jesus Cristo no céu. É a idéia central da carta. Cristo, porém, não está longe do mundo nem dos homens. De fato, sua soberania engloba toda a criação e com ela toda a humanidade, que assim constituem o seu Corpo, a Igreja, na qual se manifesta o grande mistério agora revelado, ou seja: em Cristo, Deus reúne todos os homens na paz e na unidade, excluindo quaisquer separações de raça ou de origem religiosa. Cristo é o centro e ápice do eterno projeto de Deus, é o caminho da reconciliação e reunião de todos os homens no único povo de Deus. A Igreja abarca a humanidade inteira, e Paulo a contempla nas dimensões do universo. Ela é descrita sob três imagens: esposa (5,22-23), corpo (1,23; 4,16) e edifício (2,19-22). Desse modo, o Apóstolo relembra os laços íntimos e orgânicos que unem os homens a Cristo e entre si na comunidade, para levá-la ao pleno desenvolvimento. A carta aos Efésios é a carta do mistério da Igreja.

 

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